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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Israel conspira contra si mesmo


Milhares de hectares de terra são roubados dos árabes por Israel – para judeus e apenas para judeus – na Cisjordânia. Nem sequer sobrou terra suficiente para um Estado palestino
Por Robert Fisk, no The Independent| Tradução de Inês Castilho, no Outras Palavras
Terror, terror, terror, terror, terror. Lá vamos nós novamente. Israel vai “extirpar o terror palestino” – o que vem proclamando há 64 anos, sem sucesso – enquanto o Hamas, a mais recente das milícias mórbidas “palestinas”, anuncia que Israel “abriu os portões do inferno” ao assassinar seu líder militar, Ahmed AL-Jabari.
O Hezbollah anunciou várias vezes que Israel “abriu os portões do inferno” ao atacar o Líbano. Yasser Arafat, que era um superterrorista, depois um superestadista (após capitular sobre o gramado da Casa Branca) e mais tarde converteu-se novamente em superterrorista, quando percebeu que havia sido enganado, nos acordos de Camp David, em 1982, também falou muito sobre os “portões do inferno”.
E os jornalistas estão escrevendo como ursos amestrados, repetindo todos os clichês que temos usado nos últimos quarenta anos. O assassinato de Jabari, líder militar do Hamas, foi uma “ofensiva com alvo”, um “ataque aéreo cirúrgico” – como os “ataques aéreos cirúrgicos” israelenses que mataram quase 17 mil civis no Líbano, em 1982; os 1.200 libaneses, a maioria civis, em 2006; ou os 1.300 palestinos, a maioria civis, em Gaza em 2008-09; ou ainda a mulher grávida e o bebê que foram assassinados pelos “ataques aéreos cirúrgicos” em Gaza na semana passada – e os 11 civis mortos em uma só casa em Gaza, ontem. Ao menos o Hamas não atribui a seus foguetes “Godzilla” nada de cirúrgico. Seu objetivo é matar israelenses – quaisquer israelenses, homens, mulheres ou crianças.
Exatamente como os ataques de Israel em Gaza. Mas, não ouse dizer isso, ou será tachado de nazista antissemita; quase tão diabólico, perverso, satânico e assassino como o movimento Hamas, com o qual – de novo, por favor, não fale sobre isso – Israel negociou alegremente nos anos 1980, momento em que encorajou esse “bando de monstros” a tomar o poder em Gaza e decapitar o superterrorista exilado, Arafat. A nova taxa de câmbio em Gaza para os mortos palestinos e israelenses chegou a 16 por 1. Vai subir, é claro. A taxa de câmbio em 2008-09 era de 100 por 1.
E estamos alimentando mitos, também. A última guerra em Gaza teve sucesso tão impressionante (“extirpando o terrorismo”, claro) que as supostas unidades “de elite” de Israel não foram capazes sequer de encontrar seu próprio soldado capturado, Gilad Shalit, ao final entregue, no ano passado, por Jabari em pessoa – o mesmo líder do Hamas agora assassinado.
Jabari seria o “líder oculto número 1” do Hamas, segundo a Associated Press. Mas como, ó céus, pode ser oculto, se sabemos sua data de nascimento, detalhes familiares, anos de cárcere em Israel, durante os quais trocou o Fatah pelo Hamas? Ao que parece, os anos na prisão israelense não converteram o sr. Jabari exatamente ao pacifismo, certo? Bem, não derramemos lágrimas; ele viveu pela espada e morreu pela espada, um destino que, claro, não aflige os aviadores de Israel enquanto matam civis em Gaza.
Washington apoia o “direito de defesa” de Israel. Por isso, afirma uma neutralidade espúria – como se as bombas de Israel sobre Gaza não tivessem vindo dos Estados Unidos, assim como os foguetes Fajr-5 vieram do Irã.
Enquanto isso, o lamentável secretário de Relações Externas de Londres, William Hague, acusa o Hamas de “principal responsável” pela guerra atual. Mas não há evidências de que isso seja verdade. De acordo com The Atlantic Monthly, o assassinato israelense de um palestino “mentalmente incapaz”, que se desviou para a fronteira, pode ter sido o começo dessa guerra. Outros suspeitam que o assassinato de um menino palestino possa ter sido uma provocação. Mas ele foi alvejado e morto pelos israelenses, quando um grupo armado palestino tentou cruzar a fronteira e foi confrontado por tanques israelenses. Nesse caso, homens armados palestinos – embora não do Hamas – poderiam ter dado o pontapé inicial ao conflito.
Mas não haverá nada que pare esse absurdo, essa guerra de lixo? Centenas de foguetes caem sobre Israel. É verdade. Milhares de hectares de terra são roubados dos árabes por Israel – para judeus e apenas para judeus – na Cisjordânia. Nem sequer sobrou terra suficiente para um Estado palestino.
Delete as últimas duas frases, por gentileza. Há apenas bons meninos e maus meninos nesse conflito odioso, no qual os israelenses reivindicam ser os bons meninos, para o aplauso dos países ocidentais (que, então, perguntam-se por que tantos muçulmanos não gostam muito dos ocidentais).
O problema, estranhamente, é que as ações israelenses na Cisjordânia e seu cerco a Gaza estão trazendo para perto exatamente o que Israel anuncia temer, a cada dia: que o país corre o risco de ser destruído.
Na batalha dos foguetes – não menos que Fajr-5 do Irã e drones do Hezbollah –, um novo caminho está sendo trilhado pelos dois lados, nessa guerra. Não se trata mais de tanques israelenses atravessando a fronteira do Líbano ou de Gaza. Trata-se de foguetes e drones de alta tecnologia e ataques computadorizados – ou “ciber-terrorismo”, claro, se cometido por muçulmanos. Os seres humanos destruídos pelo caminho serão ainda menos relevantes do que foram nos últimos três dias.
O despertar árabe segue agora seu próprio caminho: seus líderes terão de acompanhar o humor das suas populações. Nesta condição, suspeito, está o pobre e velho rei Abdullah, da Jorndânia. A hipocrisia dos EUA “pela paz”, ao lado de Israel, já não vale mais nada para os árabes. E se Benjamin Netanyahu acreditar que a chegada dos primeiros foguetes iranianos Fajr justifica o big bang israelense sobre o Irã, o que ocorrerá? O Irá reagirá ao ataque e talvez atinja também os norte-americanos. Trará consigo o Hezbollah. E o que fará Obama, se se vir se engolfado por outra guerra entre o Ocidente e os muçulmanos?
Bem, Israel pedirá o cessar-fogo, como acontece rotineiramente em guerras contra o Hezbollah. Pleiteará ainda, novamente, o apoio imortal do Ocidente em sua luta contra o mal, incluindo o Irã.
E por que não louvar o assassinato de Jabari? Por favor, esqueça que os israelenses negociaram, por meio do serviço secreto alemão, com Jabari em pessoa, há menos de um ano. Não se pode negociar com “terroristas”, certo? Israel denomina esse último banho de sangue de Operação Pilar de Defesa. Está mais para Pilar da Hiprocrisia.
Texto via Revista Fórum: http://revistaforum.com.br/blog/2012/11/israel-conspira-contra-si-mesmo/#.UK0mKLkzih4.facebook

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Show de democracia nos EUA... SÓ QUE NÃO!


Há quem pense que os EUA são mesmo uma legítima democracia, exemplo para o mundo, com total liberdade de expressão, etc. Infelizmente os que acreditam nisso são boa parte da população por não conhecerem como realmente funciona o sistema político americano.
Já começam por achar que é um país bi-partidário e possui apenas 2 candidatos. Engano! Existem sim outros partidos e outros candidatos, mas que sequer são citados pela mídia, já que eles não são comprometidos com os mesmos grupos corporativos na qual os Democratas e Republicanos possuem. Que grupos? Esses que financiam a campanha dos 2 partidos e fazem parecer que só existem 2 candidatos, para ter seus interesses garantidos, o que seria quase um UniPartidarismo, pois ambos candidatos não podem mudar muita coisa.

Segundo o Link: http://noticias.band.uol.com.br/mundo/noticia/?id=100000547104


Os dois candidatos à presidência dos EUA são Mitt Romney e Barack Obama, certo? Errado. Neste ano há seis pessoas concorrendo à Casa Branca. Além dos dois citados estão na disputa Gary Johnson, Rocky Anderson, Jill Stein e Virgil Goode. O Portal da Band entrevistou especialistas para falar sobre os motivos pelos quais somente dois partidos dominam a discussão política no país. 


A realidade é que pouco se ouve falar sobre os quatro candidatos dos chamados partidos independentes ou “third party”.

Segundo o professor de Relações Internacionais da Unesp, Marcelo Fernandes de Oliveira, o financiamento do governo é encaminhado para a campanha dos maiores partidos e por isso a tendência é que os políticos se agreguem a eles. 

“Os partidos pequenos dificilmente conseguem o número mínimo de representantes para ter acesso a esse dinheiro, por isso suas campanhas não têm magnitude suficiente para que eles sejam convidados aos debates, por exemplo”, explica. 

Segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM, Heni Ozi Cukier, o sistema americano é completamente majoritário, por isso quase não existem representantes de outros partidos no Congresso. “O candidato ganha ou perde, não existe proporcionalidade como no Brasil”, esclarece. 

“Os EUA têm uma tradição, uma cultura na qual as pessoas já se colocam como Republicanos ou Democratas. Existem algumas exceções como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que é do partido Independente. No entanto ele utilizou seus vastos recursos econômicos pessoais na campanha e, por isso, conseguiu ganhar espaço”, explica Cukier. 
Com esse investimento até existe a possibilidade de um presidente ser eleito em outro partido, mas, segundo Cukier, ele não conseguiria governar por falta de apoio no Congresso. 
Para Marcelo, esses partidos não conseguem muito espaço em eleições presidenciais por conta da independência das federações no país. 
“Os partidos menores buscam discutir assuntos que não são normalmente cuidados pela presidência americana. A vida democrática nos EUA acontece nas federações. A presidência acaba tratando de temas comuns como defesa, segurança, política externa” completa Oliveira. 

Veja mais em: http://www.tribunadabahia.com.br/2012/11/05/candidatos-nanicos-existem-nos-eua-podem-tirar-votos-de-obama-romney&ei=vFiaUNPpBIiE9QS_goDYCw&usg=AFQjCNFdCTILDBCjXqo52QyVhzt3aeXoNw&sig2=kowozwDMGL2RjjzMxozhyQ
        E

Segundo o link acima, "Maisel explica que isso acontece hoje no país devido ao sistema de voto distrital majoritário. Neste caso, diferentemente do Brasil, o país é dividido em 435 distritos e cada um elege apenas um candidato. Então, se um partido menor fica com 10% de votos, em outro sistema poderia eleger alguém, mas no voto majoritário distrital não. "Isso encoraja o bipartidarismo", conclui." (...)
O professor Alex Keyssar afirma que o bipartidarismo foi construído historicamente nos EUA desde que a nação declarou sua independência da Inglaterra, em 1776. "Não era assim nos primeiros 50, 60 anos da história do país", quando os grupos de pressão ainda eram organizados em facções, e as articulações políticas "eram muitos mais fluidas". (...)
Durante a passagem do século XIX para o XX, o modelo polarizado ganhou forma. "Após uma série de fortes movimentações de partidos menores, os democratas e os republicanos adotaram leis eleitorais que tornaram muito difícil partidos menores sobressaírem", diz Keyssar.
Os americanos não só desconhecem muitos destes candidatos como são impossibilitados de votar na maioria deles, visto que há uma série de requisitos para que o concorrente apareça na cédula, que varia para cada estado e para cada cargo.

Tendência para o centro
Segundo Keyssar, o sistema de dois partidos inibe grandes movimentações na política. "Todo mundo vai em direção ao centro. Com certeza dificulta o desenvolvimento de novas ideias ou novas perspectivas." O professor acredita ser muito difícil a formação de um novo arranjo político que permita mais do que duas legendas fortes nos Estados Unidos: "Só vai acontecer se um partido rachar." 
Vemos aí uma impossibilidade de mudanças pela via democrática (como na maioria das democracias representativas) devido a enormes entraves impostas a quem possui propostas que desafiam o poder do capital e da alta burguesia mundial. Um presidente que é contra guerras, contra o atual sistema financeiro e todas as ações que só beneficiam uma elite Global certamente não poderão ter espaço no país mais poderoso do mundo, segundo a lógica deles. Isso prova que a Democracia plena não é compatível com o Imperialismo e os interesses da burguesia.