Total de visualizações de página

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Chavez reeleito: até onde vai a "Revolução"?


Chavez quando foi eleito pela primeira vez foi em resposta à indignação generalizada da população contra o neoliberalismo e seus efeitos sociais, além da subserviência do país aos Estados Unidos.
Antes de ser candidato, Chavez era oficial do Exército.

 
[Carlos Andréz Perez, ex-presidente da Venezuela]
No governo neoliberal de Carlos Andrés Perez a população protestou contra suas medidas, entre elas aumento da passagem dos transportes públicos e de impostos. O Governo direitista respondeu com a polícia e o exército reprimindo a população. Pessoas chegaram a ser mortas nas repressões.
  
Hugo Chavez, como oficial do exército, resolveu junto a outros militares rebeldes tentar derrubar esse governo, pois não queria mais ver as Forças Armadas que deveriam proteger a população fazer o oposto: matar sua própria gente, e em defesa de interesses econômicos.

Houve um grande confronto entre as forças rebeldes e as governistas. O Golpe fracassou, os golpistas que não morreram foram presos, e Chavez assumiu publicamente a tentativa de golpe explicando seus reais motivos. Com tal ato, ganhou grande simpatia do povo que apoiou a inciativa.

Tempos mais tarde, Carlos Andrés Perez sofre um Impeachment por escândalos de corrupção.
Hugo Chavez é eleito posteriormente prometendo várias reformas e a luta pelo socialismo e pela independência da Venezuela. Sua atuação política era inspirada num nacionalismo pan-latino idealizada por Simón Bolivar, e pelo Socialismo Trotskysta.

As mudanças propostas prejudicavam empresas multinacionais, como a estatização do petróleo e dos bancos.
Diante disso, a oposição com apoio das empresas multinacionais, do governo americano e da imprensa financiada por esses grupos tentaram um golpe pra derrubar Chavez. Ele foi preso, muitos políticos cassados, e um governo provisório se instaurou.
Mas o golpe fracassou, pois o povo saiu às ruas contra o golpe, e setores das Forças Armadas apoiaram Chavez. Ele foi resgatado por paraquedistas da aeronáutica e retornou ao poder com apoio do povo que saia às ruas. Os golpistas foram condenados pela justiça.
Posteriormente a mídia internacional o atacou e o ataca constantemente por denunciar o poder dessas empresas e por afrontar o imperialismo norte-americano na região, com suas tentativas de derrubar governos democraticamente eleitos que não seguem sua cartilha.
A grande emissora que contribuiu com o golpe não teve sua concessão pública renovada, o que gerou muita polêmica externamente, acusando-o de ditador.
Ele avançou em muitos programas sociais, e em mecanismos de participação popular.

Desde que assumiu ele iniciou um processo de transição do capitalismo para o socialismo, começando por iniciar um processo de Independência do país, promovendo um nacionalismo com viés anti-imperialista; estatizou setores estratégicos como petróleo e Bancos; avançou em programas sociais de habitação e combate à pobreza; investiu nas Forças Armadas para garantir a segurança nacional contra a ingerência externa; e criou mecanismos de participação popular e controle social do Estado, como os "Conselhos Comunais".

Mas há muito o que se fazer para avançar ao socialismo, e, ao comunismo.
Há que colocar as empresas sob controle de seus trabalhadores, há que "abolir o Estado" colocando o controle total do governo sob a uma Democracia Popular de conselhos e assembléias populares; isso tudo visando superar o "Capitalismo de Estado".
Mas esse processo de "avanço ao socialismo" pode ser barrado por um grande fator: o poder econômico brasileiro, e a influência política que o Brasil exerce sobre a Venezuela.

Segundo reportagem no G1: "No campo econômico, o Brasil lidera a lista dos sul-americanos interessados em que o resultado do pleito não afete seus negócios no país caribenho. Nos últimos anos, o Brasil se tornou o terceiro principal sócio comercial da Venezuela, atrás somente dos Estados Unidos e China.
Se confirmada a projeção das pesquisas que apontam Chávez como favorito, o Brasil tende a dar continuidade ao papel de moderador das iniciativas de Caracas, só que agora, com enfoque no campo econômico, avalia Javier Biardeau, professor de sociologia da Universidade Central da Venezuela e especialista em desenvolvimento na América Latina.
Moderar Chávez significa garantir que o horizonte do projeto bolivariano não ultrapasse o capitalismo de Estado', diz Biardeau. Na prática, isso significa que o projeto do socialismo do século XXI do atual governo deve permanecer somente na retórica.
O analista avalia que a tendência é que, se obtiver mais um mandato, Chávez continue se comprometendo com as grandes empresas regionais em troca de apoio político.
Se prevalecer o papel de moderação de Brasil e Argentina, serão as empresas e os países do Mercosul os negociadores das condições de segurança jurídica para o capital estrangeiro na Venezuela', afirma Biardeau." (Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/10/de-olho-em-comercio-mercosul-aposta-em-venezuela-mais-pragmatica.html)
Segundo a informação, Chavez e o PSUV (partido socialista unido da Venezuela) podem ter dificuldades em avançar no projeto revolucionário por esse apoio que recebe do Brasil e da região por parte das empresas regionais. Deverá manter um "capitalismo reformado" semelhante ao que existe na maioria dos países da América Latina, beirando a "Social-Democracia" ou um "Nacionalismo Assistencialista".
Isso significa que o trabalhador Venezuelano poderá ter algumas conquistas barradas, que o tom da política externa venezuelana contra o imperialismo ocidental deve baixar, e que ainda existirão setores econômicos privilegiados dentro do sistema. Mas, isso não desfaz os avanços que já existem.

A vitória de Chavez nas eleições significa a conservação de todas as conquistas do povo Venezuelano acumuladas em suas lutas sociais desde o "caracazo"; mas não se sabe ao certo até onde vai avançar o processo revolucionário. É esperar pra ver...

Nenhum comentário:

Postar um comentário