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terça-feira, 26 de junho de 2012

Por quê um Golpe de Estado no Paraguai ?

Em 2009, EUA já previam golpe no Paraguai

A pergunta que não quer calar. Quando falamos em golpe, todo mundo diz que foi por meios legais, constitucionais, e etc.
Mas não é apenas a quebra de procedimentos legais que faz de um ato como esses um golpe, mas sim seus interesses.

Vamos analisar o primeiro deles:

a) Os EUA já sabiam disso em 2009, segundo dados vazados do Wikileaks:

DOCUMENTO DA EMBAIXADA DOS EUA EM ASSUNÇÃO, VAZADO PELO WIKILEAKS, TRATAVA DE UM POSSÍVEL GOLPE PARLAMENTAR CONTRA FERNANDO LUGO; ATÉ AGORA, O GOVERNO DE OBAMA NÃO SE PRONUNCIOU SOBRE A MUDANÇA DE GOVERNO NO PAÍS VIZINHO

25 de Junho de 2012 às 06:10
247 – O documento é de 23 de março de 2009 e foi vazado pelo Wikileaks. Produzido pela embaixada dos Estados Unidos em Assunção, o memorando previa que Fernando Lugo seria derrubado por meio de um golpe parlamentar – exatamente como aconteceu na última sexta-feira, quando o presidente eleito do Paraguai foi substituído por seu vice Federico Franco.
Enquadrado como “confidencial” por Michael J. Fitzpatrick, o texto diz o seguinte:
“Rumores indicam que o general Lino Oviedo e o ex-presidente Nicanor Duarte estão trabalhando juntos para assumir o poder por meio de instrumentos (predominantemente) legais que deverão afetar o presidente Lugo nos próximos meses. O objetivo: capitalizar sobre qualquer tropeço de Lugo para iniciar o processo político no Congresso, impedir Lugo e assegurar sua supremacia política (...) A revolta relacionada a um programa de subsídios para agricultores por meio de ONGs foi considerada um pretexto para o impeachment antes que Lugo abandonasse o programa. Para um presidente que enfrenta muitos desafios – disputas políticas internas, corrupção e a percepção de que seu estilo de liderança é ineficiente – Lugo deve se preocupar para não cometer um erro, que seria seu último.”
Até agora, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não se manifestou sobre o golpe de Estado no Paraguai. Na Rio+20, o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, foi cercado por seguranças quando tentou saber da secretária de Estado Hillary Clinton qual é a posição dos Estados Unidos a respeito da crise.
b) Precária base parlamentar de Lugo:
O objetivo da oposição dentro da democracia burguesa sempre será tomar o poder, derrubar o opositor, independente da qualidade do trabalho dele. Lógico que essa base parlamentar maioritariamente de oposição da direita (Partido Colorado e Partido Liberal) poderia mover um processo de Impeachment sob qualquer pretexto.
Nas palavras do site Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20452) : "O governo do Presidente Lugo se elegeu com precária base parlamentar, em razão da tardia adesão dos movimentos sociais ao processo eleitoral, apoiando-se numa coalização anti-partido Colorado – partido este que governou o Paraguai de 1947-2008 – onde destacou a presença do conservador Partido Liberal. Durante sua gestão, incapaz de obter maioria parlamentar, Lugo não pode avançar em promessas chaves de campanha que confrontavam a oligarquia paraguaia, como a realização de uma reforma agrária. "
c) Afronta à Monsanto (diga-se, grande corporação estrangeira):
O governo estabeleceu certa confrontação com a Monsanto no que tange a liberação de sementes transgênicas, não autorizando o plantio de variações transgênicas de sementes algodão, ainda que a plantação de soja transgênica, principal cultivo de grãos do país, tenha permanecido amplamente liberada. 

d) Questão das bases Militares dos EUA:
No que tange a relação com os Estados Unidos, ganhou destaque a questão militar. Em setembro de 2009, Lugo não renovou o programa de cooperação estabelecido na presidência de Nicanor Duarte que permitiria o ingresso em solo paraguaio de 500 militares estadunidenses com imunidades diplomáticas para treinamento operacional. Questionado sobre o episódio, o então comandante das forças armadas Cíbar Benitez o minimizou e relatou haver programas de cooperação militar permanentes com os Estados Unidos no Paraguai para assuntos internos, como colaboração com atividades policiais.  Cerca de um mês após esta recusa, Lugo trocou todo o comando militar do Estado, em função de tentativa de golpe que havia sido detectada. O governo foi ainda assediado pela reunião de 21 generais estadunidenses com a Comissão de Defesa da Câmara, em meados de agosto de 2011, para a construção de uma base militar, que foi reivindicada pelo líder da UNACE, dissidência do Partido Colorado e terceira força parlamentar, como necessária para conter as ameaças representadas pela Bolívia e Venezuela bolivarianas.
O golpe tem a função de criar o ambiente de terror para impedir que as organizações populares e a Frente Guazu possam eleger um novo presidente com forte base parlamentar capaz de respaldar mobilizações populares e programas muito mais amplos. Para isso é fundamental destruir a TV Pública - oásis de informação num ambiente midiático dirigido pelos grandes proprietários donos de jornais e cadeias televisas – fraudar ou adiar as novas eleições; 
O golpe tem ainda o papel de modificar o tabuleiro geopolítico da região criando no Paraguai - em razão de sua localização territorial estratégica, disponibilidade de reservatórios de agua doce e de fontes energéticas que afetam principalmente ao Brasil, Argentina, ou proximidade das reservas de gás da Bolívia - uma fonte de contenção e desestabilização dos governos de esquerda e centro-esquerda da região. Tal projeto se articula fortemente com o imperialismo estadunidense e se consolida com a instalação de bases militares no país. Só este vínculo, combinado com o desespero da direita paraguaia poderia dar-lhe a força suficiente para confrontar vizinhos regionais muito mais poderosos. 
Podemos ver a partir dessas várias informações que tudo não passa de mais um ato de dominação estrangeira na região, apoiada por oligarquias e pela direita local que se alia a setores do imperialismo internacional para consolidar seu poder na região.
Os partidos de direita na região da América Latina, em sua maioria - inclusive no caso do Paraguai, não passam de vassalos do imperialismo que ajudam eles em troca da preservação de seu poder político e econômico.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Algumas considerações sobre o RIO G+20

 A proposta da Conferência a propósito é interessante, mas não podemos esperar muitos resultados dela, pois todas as potências e representantes da burguesia internacional debatendo problemas que eles mesmo causam é como uma conferência de ladrões defendendo combate ao crime. Chega a ser contraditório.


Vemos países numa crise que se espalha pelo mundo e o que se defende é arrocho salarial, perda de direitos, corte de programas sociais, aumento de impostos, tarifas, além de muita repressão aos contrários.


Vemos guerras e mais guerras. Já não bastassem as que já ocorreram no passado, e as que ainda ocorrem, continuam ameaçando fazerem mais guerras sob qualquer justificativa, como se as vidas humanas que se perdem fossem descartáveis. Matam pessoas como se matassem uma barata.


Vemos a degradação ambiental crescente, mesmo após muitos "compromissos" feitos e muitas catátrofes resultantes disso. As potências querem apenas que os demais países se preocupem com a preservação ambiental, e não abrem mão de sua busca incessante de lucro às custas da natureza. Apenas apontam seus dedos sujos.
 

Vemos poucas medidas de combate a pobreza a nível mundial, e pior, as medidas atualmente existentes como o sistema de crédito do Banco Mundial e do FMI servem para exercer controle sobre os países subdesenvolvidos, empobrecendo-os mais ainda e exigindo medidas econômicas desumanas. Um verdadeiro imperialismo econômico.


Não podemos esperar mudanças por parte deles. Tudo isso é fachada para que acreditemos que eles se importam com isso. No fundo eles sabem quais os problemas, mas as verdadeiras soluções prejudicam seu poder mundial, seja no campo político ou econômico. A "Fórmula Mágica" que eles esperam são alternativas que possam resolver o problema sem comprometer os lucros e seu poder.

Mas podemos tirar pontos positivos da Conferência, como este tirado do site G1:
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20/06/2012 15h41 - Atualizado em 20/06/2012 16h37
 

Ahmadinejad critica 'imperialismo' na Rio+20

'Não devemos buscar hegemonia a custa de outros povos', disse.
Países desenvolvidos impõem padrões de desenvolvimento, afirmou
.

Frame Ahmadinejad, presidente do Irã, durante a Rio+20 (Foto: Reprodução) 
Ahmadinejad, presidente do Irã, durante
a Rio+20 (Foto: Reprodução)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu nesta quarta-feira (20) em discurso na reunião plenária da Rio+20, um "compromisso com a moralidade" na relação entre povos e nações para construir "um mundo melhor e mais igualitário".
O iraniano começou sua fala evocando Deus e desejando aos companheiros "saúde" para seguir "o profeta".
Segundo ele, a busca incessante pelo lucro e realização material tem elevado o nível de animosidade  no mundo. “Não devemos buscar hegemonia a custa de outros povos e seres humanos que habitam o planeta”, afirmou em discurso.
“A ordem internacional precisa ser redesenhada para servir tanto às necessidades materiais quanto espirituais da raça humana”, disse o líder iraniano. “Ninguém tem o direito de arruinar o ambiente que pertence a todos”.
"Os seres humanos não são rivais, mas amigos e companheiros que se completam. A felicidade de um não pode ser às custas do outro”.
Ahmadinejad criticou o que considera ser um sistema "imperialista" que domina o mundo. “Um grupo minoritários de países, os chamados países desenvolvidos, estão impondo padrões de desenvolvimento, e os outros países são forçados a seguir os seus passos”, afirmou e, mais adiante, mandou o que parecia um recado a críticos de seu governo:  "As questões de direitos humanos foram concebidas para servir àqueles que dominam o mundo".
Ele ainda alfinetou Israel e Estados Unidos ao relembrar guerras pelo mundo. "A Guerra da Coreia, a Guerra do Vietnã, a guerra que os sionistas declararam contra os arabes, a guerra que Saddam Hussein declarou contra o Irã e tantas outras guerras injustas" foram citadas como causadoras de destruição.

Fonte (desta notícia): http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/ahmadinejad-defende-na-rio20-compromisso-com-moralidade.html