Total de visualizações de página

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Como o dinheiro é criado? (Os Culpados pela Crise)

Recentemente vi um documentário produzido por um economista intitulado “dinheiro como dívida” explicando o processo de criação de dinheiro. Esse documentário acabava “acidentalmente” explicando a crise econômica, seus culpados e quem paga por ela. Primeiramente ele fez um histórico da moeda, de tudo o que chegou a ser utilizado como moeda, desde grãos, gado até ouro e metais precisos. Qualquer coisa era usada como moeda.

Com a popularização dos metais preciosos, surgiram casas onde se poderiam guardar o ouro pessoal. Se eu encontrasse grande quantidade de ouro, eu poderia guardá-lo lá porque neste lugar ele estaria protegido de roubos, estaria seguro, e eu poderia retirá-lo quando precisasse. Essas casas eram basicamente os bancos, onde o ouro das pessoas ficava guardado numa espécie de poupança.


O Proprietário do local percebeu que poderia emprestar o dinheiro da poupança em troca da devolução de um valor maior. O dinheiro emprestado pelo banco era o "principal" e o valor adicional e ser devolvido eram os "juros". O lucro do banqueiro eram os juros do dinheiro emprestado, e o dinheiro emprestado era da população que ali depositava seu ouro. Se toda a população retirasse seu ouro do banco, provavelmente não haveria crédito, e o banqueiro perderia seu "ganha-pão". Percebendo isso, os bancos passaram a dar “parte dos juros” aos depositantes, mas lógico que davam uma parcela menor do que o percentual dos juros cobrados pelo empréstimo, senão não haveria lucratividade em ser banqueiro.


Para facilitar a circulação do ouro, os bancos passaram a emitir papéis que correspondiam a determinada quantidade de ouro. Na Economia, esses papéis eram aceitos como ouro, pois ao apresentar esses papéis no Banco o indivíduo poderia retirar o ouro correspondente. Esse papel é o que hoje chamamos “papel-moeda”. Se todos os papéis fossem devolvidos ao banco em troca do ouro correspondente, não haveria nenhum papel-moeda em circulação.


Alguns Banqueiros perceberam que poderiam emitir papel-moeda sem um valor em ouro correspondente. Bastava alguém pedir empréstimo que o banqueiro emitia um papel-moeda sem ter necessariamente um valor em ouro correspondente, e o devedor que pediu os empréstimos deveria devolver esse dinheiro com juros. Ninguém se daria conta dessa fraude. Há um problema: o que aconteceria se todas as pessoas repentinamente fossem ao banco e apresentassem os papéis para retirar o ouro? Provavelmente faltaria ouro, pois o valor de papéis criados pelo banco era maior que o ouro existente nos depósitos; isso criaria uma revolta contra a falcatrua dos bancos. Essa prática seria proibida por lei e os banqueiros punidos.
Mas o que aconteceu na realidade não foi isso. Essa prática foi regulamentada pelos Governos, e a maioria aboliu o padrão-ouro, padronizou uma única moeda de curso forçado e estabeleceu um Banco Central que, como um maestro, “dirigiria essa orquestra dos bancos” através de exigência de reservas, taxa de juros, etc.

O Dinheiro passa a ser inteiramente criado por meio de dívidas. O sistema financeiro pode variar de país para país, mas no geral, o dinheiro é “magicamente criado do nada” a partir de empréstimos. Cada  centavo que você possui é um centavo que alguém deve ao Banco. Só mediante empréstimos o papel-moeda é emitido.
Há um problema: como o devedor pagará sua dívida (principal + juros) se o banco emitiu apenas o principal? Respondo: acumulando papéis de outro devedor. Assim, para que alguém pague suas dívidas com o banco, alguém não poderá pagar. É como a brincadeira da “Dança das Cadeiras”, onde há mais pessoas do que cadeiras.

Pode parecer apavorante, mas isso é essencial para  que o sistema financeiro funcione, pois “se todas as dívidas com os bancos fossem quitadas – inclusive as do governo – não haveria nem um centavo em circulação” e os bancos deixariam de existir, perderiam seu poder econômico, seu ganha-pão, seu trabalho parasita. É essencial que sempre existam devedores, para que os bancos permaneçam na sua atual posição de “donos do mundo”.

Resumo: os bancos (com aval do governo) emitem dinheiro do nada a partir dos pedidos de empréstimos, e quem pediu deve devolver com juros, e para que isso aconteça alguém deve ficar sem pagar, e quem ficar sem pagar o banco tomará os bens. Conclusão: Todos nós trabalhamos para os Bancos.

E o que isso tem a ver com a crise? Tudo. O mundo está em convulsão por dívidas criadas pelos homens que inventaram esse sistema. A dívida pública nada mais é do que o empréstimo que o governo toma vendendo “títulos de dívida pública” ou criação de dinheiro prometendo pagar a juros. Se o Governo não paga a dívida quem perde são os investidores privados e os bancos. Assim, para o governo pagar as dívidas de dinheiro criado do nada ele privatiza empresas públicas (muitas vezes até hospitais, escolas, mineradoras, etc.), demite seus funcionários, cria desemprego, aumenta impostos, não paga aposentadorias, reduz os salários (quando não elimina leis trabalhistas).


Por que o povo paga pela crise dessa dolorosa forma se não é ele o culpado por isso? Quando isso terá fim? Quando o povo se revoltar com essas medidas, entender o sistema monetário e exigir reformas que acabem com essa criação de moeda fiduciária que só prejudica o povo numa dívida perpétua e só beneficia banqueiros e investidores de bolsas de valores. Que ponham um fim nessas “atividades estéreis e parasitas” e estabeleçam bancos públicos sem fins lucrativos, investimentos públicos, e regulação sobre o Capital especulativo.

7 comentários:

  1. Puis é... Deu trabalho pra mim elaborar esse post. Tive que tentar explicar uma coisa que exigiria um livro em uma página.
    Espero que tenha ficado claro ao leitor, pois eu tentei fazer um texto bem resumido, bem explicado e claro a leitores não-economistas/financista.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parabéns, já havia ouvido falar que era mais ou menos assim, ficou muito bem resumido.

      Excluir
  2. Muito bom texto Cristopher.
    Sem Dúvida o dinheiro foi necessário para instaurar uma socidade avançada em tecnológia, porém agora com toda a mesma torna-se obsoleta e desleal.

    abraço!

    ResponderExcluir
  3. O dinheiro em si não é obsoleto, pois é essencial para mediar as trocas.

    O que é maligno é a criação dele que é feita hoje pelos bancos e com respaldo do governo onde os bancos acabam por dominar o mundo através desse sistema.

    ResponderExcluir
  4. Texto excelente! Gostei bastante, publiquei no meu facebook.

    Também assisti o documentário, vc conseguiu traduzir com uma linguagem mais fácil de ser entendida =]

    ResponderExcluir
  5. Valew... É bom para entendermos como funciona o sistema e a forma como somos escravizados.

    Creio que para uma revoluçao atualmente, a prioridade é acabar com o atual sistema monetário e criar um baseado num banco público com criaçao monetária via investimentos públicos.

    Enao falo isso como militante, falo como estudante de economia mesmo, pois o atual sistema além de outorgar essa dominaçao também causa um grande desperdício de recursos na concentraçao de renda dos banqueiros e nas crises economicas fruto desse sistema monetario.

    ResponderExcluir
  6. Parabens pelo texto. Eu vi esse documentário também e vi os documentarios Zeitgeist e muitos outros que explicam como este esquema funciona e estou habilitado para lhe dizer que o seu texto é bom e explica de uma forma simples, sucinta mas muito interessante todo o esquema de criação de dinheiro. Parabéns mais uma vez pela iniciativa e continue explicando (acordando) os que ainda ignoram estes temas.

    ResponderExcluir